O papel da neuropediatria no diagnóstico do TEA

Publicado em 28 de junho de 2018

Quando falamos sobre crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a neuropediatria é uma das especialidades que possuem papel fundamental no diagnóstico e acompanhamento do quadro.

A neuropediatria, também conhecida como neurologia infantil, é um ramo da neurologia dedicada a estudar doenças e disfunções do sistema nervoso de crianças e adolescentes.

Para entendermos melhor o papel da neuropediatria no dia a dia da criança com autismo e de suas famílias, eu conversei com a Dra. Daniela Bariani, neuropediatra do Sabará Hospital Infantil.

Quando os pais devem procurar a neuropediatria?
Esse questionamento certamente deve passar pela cabeça de muitos pais, não é verdade? Para esclarecer essa dúvida, a Dra. Daniela rapidamente explica que a palavra de ordem é observação.

“Se os pais perceberem que a criança, mesmo muito pequena, entre 1 e 2 anos de idade, não está se desenvolvendo ou está apresentando um comportamento não esperado, é indicada a avaliação de um neuropediatra”, explica.

Os casos mais indicados são:

– Regressão ou atraso de fala
– Dificuldade de interação com outras crianças ou adultos
– Olhar pouco nos olhos
– Incômodo com o contato físico
– Realizar movimentos repetitivos
– Apresentar interesses muito restritos e exagerados por determinado objeto ou atividade (água, objetos que rodam, seletividade por uma cor específica)
– Manias (enfileirar objetos, fazer determinado som)
– Estereotipias
– Brincar apenas com parte de um brinquedo (rodar a roda do carrinho, por exemplo)
– Compulsão ou seletividade alimentar (só come alimentos de determinada consistência ou cor, rejeitar algo novo)
– Distúrbios do sono (geralmente agitação).

A especialista esclarece que esses sintomas podem instigar os pais a visitarem um neuropediatra, mas não necessariamente significam que a criança é autista. “Pode não se tratar de TEA, uma vez que há diversos quadros comportamentais possíveis dentro destas características”. E completa: “O diagnóstico fechado de TEA é dado geralmente pelo neuropediatra ou psiquiatra.”

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A neuropediatria no dia a dia da família
O acesso a informações sobre o Transtorno do Espectro Autista está cada vez maior, o que tem feito com que a busca por um diagnóstico seja feita cada vez mais cedo, o que favorece muito a criança.

“Os pais e a escola estão melhor informados e atentos aos sinais do TEA. E vale ressaltar que, quanto mais cedo fecharmos o diagnóstico e iniciarmos o tratamento, melhor a resposta da criança”, lembra Dra. Daniela.

A neuropediatria é responsável por fechar o diagnóstico de TEA, mas as terapias envolvem outras especialidades, como psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, educador físicos, terapia ocupacional, nutrição etc.

Influência do esporte no tratamento de TEA

O esporte também é parte importante nesse processo. Dra. Daniela explica que durante o exercício são liberadas substâncias no cérebro (especialmente a dopamina), que geram a sensação de bem-estar e diminuem a ansiedade.

“Além disso, no esporte a criança tem a oportunidade de desenvolver a interação com os demais, aprende a seguir regras e limites e explora o meio. Sempre que possível, a prática de atividade física deve ser estimulada pelos pais”, orienta.

Vale lembrar que aqui mesmo no blog você vai encontra algumas sugestões de esportes para crianças com autismo, entre eles natação, aulas de tênis e capoeira.

Em certos casos, o neuropediatra inclui medicamentos no processo de tratamento de TEA. “A indicação dos medicamentos tem como objetivo atuar nos sintomas quando estão muito acentuados e não são atenuados com as terapias. Entre esses sintomas estão irritabilidade, agressividade, distúrbios do sono, labilidade emocional, estereotipias (movimentos repetitivos) importantes etc.”, esclarece a neuropediatra.

A neuropediatria é o primeiro profissional que os pais devem procurar ao perceberem alguma alteração no desenvolvimento da criança. Lembrando que um diagnóstico precoce tende a trazer resultados mais efetivos para o bom desenvolvimento dos filhos.

“Diante de qualquer suspeita de que algo não vai bem com a criança, os pais devem procurar um especialista. Mesmo diante de um diagnóstico de TEA, há muito a ser feito. As crianças sempre nos surpreendem com os progressos que alcançam”, comenta Dra. Daniela.

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