Fórum Políticas Públicas de Saúde para a Infância abrange propostas de governo e pesquisas sobre o tema

Publicado em 24 de setembro de 2018

Sob a premissa de que “com uma infância saudável, seremos uma sociedade melhor”, o Fórum Políticas Públicas de Saúde para a Infância, com os olhares analíticos de VEJA e SAÚDE como curadoria, trouxe uma reflexão sobre os desafios e as propostas dos programas de governo acerca do tema. O evento da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, que contou com realização do Instituto Pensi, aconteceu na última quarta-feira, 12/9, no Teatro do Maksoud Plaza, em São Paulo.

“A saúde da criança e do adolescente diz respeito, principalmente, sobre que país nós teremos daqui a 15, 20 anos”, afirmou Sandra Grisi, professora doutora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela explicou que é no período da primeira infância, nos primeiros seis anos de vida, que estão a organização da sinapse cerebral e todas as janelas de oportunidade para atuar nas doenças crônicas degenerativas, que, muitas vezes, têm origem desde cedo.

Representando a campanha de Fernando Haddad, Alexandre Padilha, vice-presidente do PT, disse que “não existe compromisso com a primeira infância se não houver o fim do congelamento de gastos”, ressaltando que a saúde precisa ser vista como um direito, não como mercadoria. Para tanto, afirmou que a prioridade é o compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS), tendo ambição de atingir a cobertura de 80% do território nacional a partir da expansão do Mais Médicos.

Ana Paula Dias, coordenadora do plano de governo do Alvaro Diaz, apontou que a proposta de Podemos apresenta “três grandes objetivos: preparar a criança para entrar na vida escolar, a partir do potencial máximo de seu desenvolvimento cognitivo e emocional; aproximar a família dos postos de saúde; e reduzir a mortalidade infantil”. Ademais, ela convidou o público a “sair um pouco da árvore de saúde e adentrar na floresta da infância como um todo”.

Hélio Neves, representante de Marina Silva (Rede), contou como “a gravidez indesejada é capaz de desorganizar a vida de uma família que ainda não se sente em condições de ter filhos, e traz a consequência da incapacidade dessa criação”. Assim, para ele, oferecer os melhores métodos contraceptivos e um apoio à gestante é essencial, pois “cuidar da criança começa muito antes de ela nascer, começa na tomada de decisão de querer e quando querer ter filhos”.

David Uip, coordenador do programa de saúde de Geraldo Alckmin (PSDB), indicou que “como fazer mais, melhor e com menos é o desafio do próximo governo”, apontando que possíveis medidas para tanto são as PPPs (parcerias público privadas) e o financiamento de bancos americanos. Além disso, disse que o Sistema Nacional de Saúde abrange dois braços: o da saúde privada complementar, que atende 47,3% dos brasileiros, e o Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o coordenador do programa de governo de Henrique Meirelles (MDB), José Márcio Camargo, “a definição do orçamento de um país é com prioridades”, e a PEC do Teto de Gastos vai tornar essa discussão pública. A solução quanto à falta de creches, segundo ele, é criar um PROUNI para que as crianças frequentem creches privadas – uma forma de, de acordo com a proposta, evitar que sejam construídas creches que se tornem ociosas no futuro, visto que a taxa de natalidade está decaindo.

O encerramento do evento ocorreu com as palestras “Como reduzir as discrepâncias regionais nas taxas de mortalidade infantil”, da professora doutora Luciana Rodrigues Silva, da Sociedade Brasileira de Pediatria; “Obesidade infantil: os projetos e campanhas para enfrentar esse novo problema de saúde pública”, do professor doutor Mauro Fisberg, do Instituto Pensi – Unifesp; e “Crianças e adolescentes: vítimas da falta de proteção social”, de Evelyn Eisenstein, professora doutora da UERJ.

Créditos: Caroline Aragaki.

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