Falando de escolas inclusivas

Publicado em 23 de julho de 2018

Quando seu filho que completa quatro anos e como a maioria dos pais, inicia a procura uma escola para ele. Para os pais de crianças com necessidades especiais começa uma fase muito triste e difícil. Boa parte de escolas dirão não ter mais vaga. As escolas não estarão lotadas, mas não tinham lugar para crianças portadoras de alguma síndrome ou transtorno como o autismo, Down entre outras.

A lei proíbe negar matrícula a alunos com deficiência ou transtornos globais do desenvolvimento, como o autismo, mas instituições particulares afirmam ter número máximo de vagas para estudantes com deficiência. A justificativa dos colégios é a dificuldade de receber várias crianças ou adolescentes com esse perfil, que demanda outros tipos de atenção.

Segundo artigo publicado no jornal O Estado de SP:

“A maioria das escolas, segundo especialistas, entende que não é sua missão atender alunos com deficiência. E nem toda necessidade de intervenção pedagógica, defendem, deve ser tratada da mesma maneira. Os pais devem denunciar esse tipo de prática ao Conselho Estadual de Educação ou ao Ministério Público. Entre as sanções possíveis, a escola pode ser multada.

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) destacou que nenhuma escola, pública ou particular, pode rejeitar matrícula de crianças com deficiência. A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo também informou que não restringe o número de alunos com deficiência por sala e que, anualmente, amplia e atualiza as ferramentas de inclusão. Em todo o Estado, são mais de 65 mil estudantes com deficiência matriculados.

Em depoimento ao blog do Autism Speaks, um comovente relato da experiencia de uma mãe americana, Elizabeth North. Leia e se emocione:

“Amigo, eu lembro de estar no seu lugar, quando meu primeiro filho foi colocado na classe de inclusão. Eu me preocupei com ele. Eu me preocupo que ele possa dizer a coisa errada. Eu me preocupei que ele não conseguisse a atenção de que precisava. Aquela classe que tinha crianças com necessidades identificadas e crianças cujas necessidades foram identificadas ao longo do ano. Eu posso te dizer que ela não foi a única que aprendeu, eu aprendi também.

Aprendi que ter um filho em uma classe de Inclusão PODE e significará que meu filho pode ter que esperar um pouco mais, eles podem ter que progredir um pouco mais devagar e eles podem sofrer com a frustração, mas aprendi como essas lições podem ser valiosas.

Eu aprendi que às vezes eu estaria na sala de aula para festas ou para ajudar e posso estar assustada ou sobrecarregada às vezes com os comportamentos de outras crianças ou falta de autocontrole, mas também aprendi que isso me fez uma mãe melhor. Eu aprendi a ter mais compreensão e empatia pelo que aquele pai estava passando. Eu também aprendi a sorte de ter uma criança bastante típica.

Meu filho tirou lições valiosas que ele carrega até hoje. Ele é muitas vezes visto como parceiro ou líder por causa de sua capacidade de trabalhar com crianças que são diferentes.

Recentemente eu aprendi sobre mais de um dos meus “amigos” que não querem seus filhos na aula de inclusão. Talvez seja por razões semelhantes que eu segurei no meu coração. Talvez você tenha suas próprias razões. De qualquer forma, quero que você saiba que não julgo. Eu moro com minha filha e sei o quanto é difícil estar com ela. Eu sei o quão assustador é quando ela está tendo uma derreter difícil e que ela pode sobrecarregar outras crianças e adultos quando ela perde o autocontrole, eu entendo, mas eu quero lhe contar um pouco sobre ela.

Então amigo, eu entendo. Eu entendo que se você souber que seu filho foi colocado na classe de minhas filhas, você pode estar com medo ou até pior, você pode ligar e pedir ao seu filho para ser colocado de forma diferente. Entendi. É assustador. Eu não te julgo. Dito isto, vou dizer-lhe, se você escolher mudar o seu filho dessa classe, você estará perdendo. Você estará perdendo o seu filho aprendendo lições de vida valiosas que não só irão impactá-los durante o próximo ano letivo, mas você estará perdendo o seu filho aprendendo lições valiosas que eles levarão consigo por muito tempo depois de não estarmos mais andando nesta terra. Se eu fosse você, aproveitaria a oportunidade oferecida pela classe de inclusão. A oportunidade de crescer, a oportunidade de florescer, a oportunidade de viver uma vida melhor por ter uma criança deficiente nela.

Ainda assim, se você escolher que essa classe não é a correta para o seu filho, eu entendo. Entendi. Eu não julgo, mas peço que você tenha um momento para ensinar compaixão, empatia e compreensão ao seu filho, porque a escola não é apenas sobre livros ou testes tanto quanto o mundo exterior gostaria que você acreditasse. A escola tem a ver com o crescimento do conhecimento acadêmico e empático e que melhor maneira de aprender do que praticá-lo todos os dias?”

Autor: Dr. José Luiz Setúbal

Fonte:

  1. https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,quantidade-de-alunos-com-deficiencia-por-turma-desafia-escolas-particulares,70002399257
  2. https://www.autismspeaks.org/blog/2018/07/11/what-being-inclusion-class-taught-my-daughter-autism

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